As vezes confesso as coisas que não devia confessar. Neste espaço nítido de escuridão e luz que para mim singra como que uma espécie de médico-paranóico-psicanalista-metódico-virtual. Pego nas letras do confessionário e transformo-as através de código binário em palavras. Neste circuito de círculo infernal, exorcizo as minhas entranhas e o que de nelas há de verdadeiro e inconsciente. Olho... escuto, e nada ouço. Confesso e... espero os resultados, abertos ou fechados em portas e corredores que só eu sei o caminho. Caminhando mais um pouco, rastreio o cheiro do medo e da paranóia que parece que se abre sempre que a toco verdadeiramente como uma verdadeira clarabóia. Deixo a chuva correr e entrar e ouço vozes amigas (ou não), e então deixo correr mais um pouco. Ouço-as sem que se apercebam que as ouço. Falo-lhes directa e indirectamente. Num jogo de olhares dançado em valsa mímica por mim cilada e escavada. Olho o abismo mais uma vez e sinto-me vivo de cada vez que vejo nos outros a morte. Não a minha nem a deles... mas apenas o cheiro subtil da sedução que um dia há-de ser inescapada. A prosa mantem-me desperto quando estou sonolento. A vida que há em mim vê-se nos gestos primitivos da sociedade. Mas nada mais se vê neste espelho de matéria-orgânica-ambulante. Sim é um espelho. Só mais um de mim mesmo. Um espelho e não uma janela, muito menos uma porta. Quando quero é um portão... confusão?!? Neste labirinto abismal que olha para mim quando passo e toco cada pedaço de pele e de célula, no cheiro verde-escuro de pétala. A porta está fechada, mas o livro com a chave que a abre está sempre aberto. Escrito à mão que por enquanto não é máquina. Escrito em sangue de quem o derrama comigo ou sem mim. Mas que sem mim o pisa sem saber que não é um tapete. E perde-se no infinito... mais um texto em sânscrito. Por mais que me digam "não, não estás numa perseguição" eu simplesmente... não acredito. Mas por isso desabafo, neste papiro endiabrado. Clonado e digitalizado. E exclamo... merda! Que é o que todos somos na sociedade.... Podia assim não me travar a mim mesmo com trevos e freios de areias e condão. Podia atingir a imortalidade, mas tão somente a recuso. Em prol de quê? Do desejo e da experimentação. Com arte, classe e desorientação. Perdido nas alquimias e ciências. Encontrado no quarto escuro da minha alma. Nas ambíguidades da vida e das mortes passadas. e travo mais uma vez. Desta feita com freios de ferro. Mas para quê tanta travagem brusca? E que ultrapassagem? E filas nas estradas de luz hermética? Sim, fechada como uma árvore. Hoje apetece-me escrever, porque amanhã não sei se me apetecerá. Mas sei que pelo menos procurarei e vou clonar algo. Inventar? Talvez... só depende da minha criatividade ao acordar. Pois acordar... quando acordo, acordo logo o dia todo. Quando durmo... foi apenas mais uma noite....
Observer xi Jan, anno MMXI
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